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quinta-feira, 19 de maio de 2011

Naturismo - pinturas de Henrique Resende. Abertura 25 de maio às 19h.


Nestas pinturas ícones da história são despidos completamente, de todos os artifícios e poderes. Contudo, a carne é sacralizada com um processo pictural de integração com um fundo vaporoso criado pelo uso da renda trabalhada com finas camadas de tinta. Faço uso da filosofia naturista para realizar uma pintura que toca numa questão crucial deste início de século: a proposição de um novo olhar na relação ser humano/natureza.

A série NATURISMO busca provocar uma reflexão sobre o bicho humano e pretende, conectada a outras ações, contribuir para uma transformação da sociedade em relação ao planeta.     (Henrique Resende)

terça-feira, 30 de novembro de 2010

MINHA VIDA – ARTE-EDUCAÇÃO

Maria Teresa Vieira


(trecho do livro de memórias "Passagens" de Maria Teresa Vieira)

A ausência:
A presença na ausência alimenta. E quando nos damos por inteiro, a marca da ausência fica na presença. Eu tenho observado o seguinte em matéria de arte-educação: por que é que eu entrei nessa história?
O artista e o educador tem um compromisso e uma necessidade de orientar. Não somente o artista orientar, mas inclusive, ser orientado.
O educador era a necessidade, que eu sentia de completar as lacunas da infância. E o respeito de não ficar com as coisas só para mim.
É como se eu precisasse dar sempre ao outro através da arte. Eu acreditava realmente nisso. E até agora eu acredito que através da arte o homem pode se encontrar. É como se ele conhecendo o material, possa conhecer a si mesmo. Ele traçando a linha, está traçando a sua linha. E no continuar, ele vai resolvendo, dando soluções para suas coisas.
Eu sempre achei interessante dizer:
- Quando eu ficar bem, eu venho ter aula de pintura.
Mas justamente, eu achava que a pessoa iria ficar bem, tendo primeiro a aula de pintura, de teatro, de música. Aula para colocar sua criação em movimento, e organizar sua impetuosidade. Canalizando. Ter um ambiente onde propiciar-se o colocar para fora. Dentro desse ambiente iam surgindo situações. E dentro do surgir era como se o homem tivesse uma oferenda para dar à humanidade. Essa oferenda era materializada em atitudes. Quando a pessoa escolhe verbalizar essa oferenda, em forma de literatura, está sempre dando, está sempre militando.
Mas, há pessoas que fazem isso na atitude humana. O dar de cada dia. O viver constante. Organizar para dar à humanidade.
O artista dentro de sua arte, se organiza, O educador seria canalizar essa emoção, organizar essa emoção que cada um traz. Organizar o caótico. Estou me lembrando do meu amigo Willy.
É muito importante ver o caótico de cada um de nós. Ver surgir e depois organizar. Essa organização só vem da continuidade.
E se alguém vem sem saber como organizar as emoções, os gritos, os movimentos? O diretor deverá organizar os gritos. Organizar o caótico é tarefa do diretor, do educador, do professor, do estadista, da dona de casa, do presidente de uma organização.
As consequências do caótico, a continuação do mesmo, só darão dúvidas para o próprio caótico.
É como os altos e baixos de uma música: movimentos fortes e movimentos tranquilos, agudos e graves. Se não, haveria uma angústia muito grande, sem resultado.
É importante a educação do caótico e a presença do mesmo.
Este é o momento de dizer que educar é ajudar, é canalizar.
Mas, para educar, eu tive que me educar, o que não foi muito fácil dentro da educação desordenada de um nordestino. Tive que por em ordem as minhas gavetas desarrumadas. E até ser durona. Em alguns momentos até ser severa. Ser dura até comigo, e com os outros. Eu descobri que às vezes é necessário ser dura, para poder ser flexível em algumas horas. O dar não para dar sim. E ter conhecimento de alguns momentos do outro, de informação do outro, mas de maneira nenhuma ficar de antolhos, querendo aplicar os ensinamentos só de uns, sem ouvir o ensinamento do seu coração.
O educador não deve ser só educador. Ele tem que ser criador. Se ele não criar alguma coisa, ele não vai conseguir saber como passar adiante. Ele tem que resolver o ato da sua própria criação.
Tem o educador que é artista. E tem artista que é educador, e sente necessidade de passar para o outro, não somente a sua técnica, mas passar o sentimento da criação, em todos os minutos, não somente no trabalho que está sendo feito.
O professor deve ter um espírito aberto, e o aluno também, para saber quando vai existir outra aula, sem ser aquela que o aluno está assistindo. Mas, o professor tem que saber quando é que o aluno deverá ter outras informações com outro colega. Ele não deve ser vaidoso para reter o aluno um tempo maior do que o necessário.
O aluno sentirá que está sendo amado, respeitado, e poderá profissionalizar aquilo que está aprendendo, embora seja um trabalho quase como lazer, como um alegria.
Mas, e aquela sensação de carregar pedra, que entrou dentro da humanidade ?
Se não carregamos pedra, pensamos que a coisa não é séria. Dentro da formação que tivemos, a arte será muito forte, quase difícil e triste. É um conceito que temos que pensar e transformar.
Por que a arte não pode ser feliz, prazerosa e lúdica ? Por que a tristeza não pode estar conosco? Por que tem que ser só alegria? Por que lutar pela conquista não pode fazer parte do processo? A dor não faz parte do processo da vida?
E o aluno compreenderá que é uma coisa maravilhosa, a pesquisa constante, a procura, o brinquedo, o sério, o lúdico, o exigente, o suave.
É fundamental numa oficina propiciar ao aluno esses momentos de busca. Quem é que tem tempo de saber o que quer? Tem que ter um lugar onde a pessoa experimente. Faça experimentos, erre. Faça experimentos, erre.
(Maria Teresa Vieira /1996)